segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os (poucos) Profissionais da Pós-Graduação


O CNPq e a CAPES, as duas principais agências nacionais de fomento à pesquisa e concessão de bolsa aos estudantes de Pós-Graduação (PG), publicou recentemente uma nova portaria que permite que alunos de PG recebam valor integral da bolsa de estudos ainda que possuam vínculo empregatício. A portaria completa pode ser conferida aqui: http://www.capes.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/36-noticias/3958-nova-portaria-permite-acumulo-de-bolsas-com-atividades-remuneradas. Em entrevista (jornal Zero Hora de 17/07/2010), o presidente do CNPq Carlos Aragão deixou claro o objetivo da medida: evitar a perda de competitividade da carreira de PG em relação a empregos formais de melhor remuneração, em especial em áreas como nas Engenharias e Medicina.

Vou resumir meus questionamentos em dois argumentos principais:

a) se os alunos de PG empregados não estiverem dedicados todo o tempo à PG (excluindo-se aí, portanto, professores universitários liberados por suas instituições para cursar uma PG, por exemplo) é justo que eles recebam, por parte das agências de fomento, a mesma remuneração que estudantes que se dedicam exclusivamente à PG? Não seria mais justo criar uma linha de fomento adicional para os alunos que mantêm vínculo empregatício, que não concorresse com a linha de bolsas para bolsistas em tempo integral? (Ok, essa resposta é fácil... da forma como foi feita, o orçamento das agências não precisa ser alterado). Afinal, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como é da sabedoria popular...

b) será que uma outra forma de deixar a PG mais atraente não é profissionalizá-la? Porque olha só, uma boa parte dos alunos de PG (e pós-doutorado) vive da bolsa, isto é tem na bolsa o seu salário. Quem não sabe disso? Pois bem, não seria mais atraente fazer como todos os países europeus fazem e tratar a PG (e o pós-doutorado) como uma PROFISSÃO? Isso significa dar direitos trabalhistas aos alunos, pagar-lhes aposentadoria, férias, 13º, cobrar-lhes impostos, etc, etc. Notem que até as bolsas técnicas para graduados (DTI) do CNPq não são consideradas como atividade profissional!!! E o supra-sumo da ironia, na tabela de remuneração das DTIs contam-se os anos de “experiência profissional”, sendo que o pessoal normalmente conta Mestrado ou Doutorado!! Ué, mas não é o próprio CNPq que considera que isso NÃO é “trabalho”? Claro, de novo aqui temos o grande problema da enorme quantidade de grana (que as agências não têm, sejamos justos) que seria necessária para cobrir os custos trabalhistas de toda essa gente, mas nem começar a discutir a questão?

Por supuesto que a nova regra tem suas vantagens e, o que pode ser mais importante, surge de uma preocupação legítima, mas não é desconfortável ver perpetuada a idéia de que o bolsista não é um profissional de pesquisa??? Ok, até é defensável a noção de que alunos de PG ainda estão em formação, e não são profissionais completos, blá, blá, blá, mas e que dizer sobre pós-doutorados (que lecionam e orientam?) e para os bolsistas técnicos? Não é por nada não, mas se uma empresa privada fizesse o que o CNPq faz acho que dava problema com os direitos trabalhistas, hein?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sobre a imagem do Bio-Blogando

A imagem ali no título do blog foi tirada (se não me engano) pela Ana Lúcia Segatto, doutoranda em Genética e Biologia Molecular pela UFRGS, em uma saída de campo que fizemos na região das Guaritas, em Caçapava do Sul, RS.

Bem-vindos!

Olá a todos!

Há algum tempo já estava pensando em fazer um blog pra discutir o dia-a-dia da Biologia e da Ciência em geral. Por quê? Ora, porque acho que as descobertas da Biologia, mesmo as conceituais (talvez principalmente as conceituais...) têm um impacto cada vez maior na vida das pessoas. Ainda assim, há muito pra se dismistificar e, obviamente, há muito para se discutir. Os diferentes pontos de vista sobre esses assuntos, seja do público, seja dos cientistas, raramente são levados em conta nas notas convencionais sobre avanços científicos. Um dos objetivos desse espaço é propiciar essa troca de idéias. Normalmente, colocarei aqui artigos que eu ache de interesse geral, ou editoriais e comentários sobre ciência retirados de revistas como Nature, Science, PLoS, etc. Pretendo também dar destaque a trabalhos realizados por pesquisadores brasileiros. Conto com a ajuda de vocês para tornar esse espaço o mais interessante possível.

Sei bem que nesse meio de campo - nem exatamente divulgação científica para um público leigo, nem exatamente discussão entre especialistas - o blog pode se perder. Isso provavelmente ocorrerá algumas vezes. Novamente, conto com todos vocês para me ajudar a achar o tom certo. Desejo uma boa leitura a todos!

Grande abraço